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Para onde vai nossa vitalidade enquanto produzimos?

Vivemos em um modelo econômico, político e cultural que nos fez acreditar que performar produtividade constantemente é sinônimo de eficiência e sucesso. Oliver Burkeman cunhou um termo que explica bem esse modelo: “armadilha da eficiência” — nela somos levados a acreditar que, quanto mais produtivos e eficientes formos em otimizar nossos afazeres, alcançaremos a paz de uma agenda vazia e o tão sonhado tempo livre. Na prática, o que acontece é que quanto mais resolutivos somos, mais demandas temos para resolver. Um looping infinito…

Na prática clínica, o que observo é que viver em uma sociedade produtivista tem adoecido as pessoas. O que corrobora com dados do cenário mundial: mais de um bilhão de pessoas vivem com algum transtorno mental, sendo ansiedade e depressão as condições mais comuns. Mas nem sempre o sofrimento vem embalado em um rótulo diagnóstico. Ele também pode ser percebido em vivências cotidianas para as quais, muitas vezes, não damos atenção — ou porque já normalizamos viver “exaustos e correndo”, ou porque vivemos em um piloto automático que nos mantém funcionais às custas de nossa vitalidade.

Não é incomum ouvir queixas sobre a sensação de inadequação por acreditar que o próprio desempenho está sempre aquém do que é esperado, acompanhada de sentimento de insuficiência, ilustrado por frases como “minha entrega poderia ter sido melhor”, comparações que questionam o próprio valor, seguidas por autocobrança implacável por fazer sempre mais.

No estilo de vida atual, a métrica do desempenho está presente em todas as áreas da vida — trabalho, casa, família, parentalidade, estudos, alimentação… tudo, inclusive o “tempo livre”, deve ser otimizado e gerido de forma estratégica.

Quando foi que descansar passou a ser algo que precisa ser “merecido”? Que não fazer nada passou a ser perda de tempo? Que ignorar os próprios limites se tornou condição de sobrevivência? Que experiências desprovidas de tempo programado e propósito claro se tornaram irrelevantes?

Sabendo que as perguntas acima cumprem a função de conscientizar e alertar, não de individualizar o problema, como não ser engolido pelas estruturas sociais e econômicas que nos pressionam a performar cada vez mais e melhor? Subvertendo essa lógica na própria vida! Tentando não se afastar do que traz vitalidade aos dias ordinários, mantendo a lucidez. Criando, intencionalmente, pausas na rotina para simplesmente prestar atenção — no próprio corpo, no entorno, nas relações. Estar presente na própria vida de maneira que viver não contemple apenas produzir.

Infográfico “A armadilha da eficiência: por que produzir mais não traz paz” — quatro pontos: quanto mais tarefas otimizamos, mais demandas surgem para preencher o vazio; ansiedade e depressão são as faces visíveis de uma sociedade que normalizou a exaustão; ocupamos até o tempo livre com metas, esquecendo que descansar é uma condição básica de saúde; crie interrupções intencionais na rotina para prestar atenção em si mesmo e no entorno.

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